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06/08/12 - 16h57
Estudo aponta que metade de crimes na capital não é denunciada
52,3% dos moradores de salvador que sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses preferiram não comunicar o fato à polícia
Estudo aponta que metade de crimes na capital não é denunciada

Nesse momento, sentiu que o rapaz ao seu lado encostou algo em seu corpo. "Ele mandou eu passar o celular, dizendo que estava armado", conta. Antes de descer tranquilamente pela porta da frente, o assaltante ainda roubou outras pessoas no ônibus.

Faltavam uns três pontos para eu descer. Não fui registrar boletim de ocorrência, porque não dá em nada", afirmou a estudante, que sofreu o assalto há 20 dias.

Ela não é a única vítima da criminalidade em Salvador que desiste de registrar a ocorrência. De acordo com pesquisa do Instituto Futura, parceiro do CORREIO, 52,3% dos moradores da cidade que disseram ter sofrido algum tipo de violência ou tiveram algum parente como vítima nos últimos 12 meses preferiram não comunicar o fato à polícia.

"Acho que as pessoas preferem nem prestar queixa porque é a realidade. Quando eles são presos, acabam liberados", diz Alexandra.

Dos 398 entrevistados, 27,9% afirmam já ter sido vítimas da violência em Salvador ou ter parentes na mesma situação. De acordo com o levantamento, 48,6% das pessoas foram assaltadas, enquanto 43,2% sofreram algumas agressão física. A pesquisa mostra que 9% tinham um familiar que foi vítima de
homicídio.

Os dados mostram ainda que, entre os que registram as ocorrências na polícia, 57,1% têm formação em nível superior e 69,6% pertencem às classes A ou B. Entre os que admitem não procurar as delegacias, 71% são da classe C e 66,% só estudaram até o ensino fundamental.

Estrutura
Saindo dos números para as ruas, há também os casos em que a vítima até quer prestar queixa, mas esbarra na burocracia e na falta de policiais.
A jornalista Mariele Pinto, 24, foi assaltada em frente à Faculdade de Medicina da Ufba, no Canela. "Ele mostrou uma faca e levou R$ 100. Comecei a chorar e um policial à paisana que passava na hora perguntou o que tinha acontecido. Ele prendeu o ladrão e fomos para a delegacia", conta.

Ela relata o que ocorreu. "Cheguei por volta das 10h30 e fui informada que a delegada tinha ido almoçar. Deu 12h40 e ela não tinha voltado. Eu desisti de dar queixa, porque o próprio pessoal da delegacia disse que não daria em nada", lembra Mariele, afirmando que, se for roubada novamente, não vai procurar a polícia.

As pessoas que mais procuraram a polícia para registrar a queixa moram na Região 5, que engloba bairros como Cabula, Pernambués, Saboeiro, Mata Escura e Tancredo Neves. Quem menos registrou ocorrências foram os moradores da Região 6 (Águas Claras, Cajazeiras, Fazenda Grande e bairros do Subúrbio Ferroviário).

Questionados sobre fatores que contribuem muito para a violência, 95,5% dos entrevistados citaram as drogas, 86,4% lembraram da impunidade e 85,7% apontaram o desemprego.

A pesquisa Futura também mostra que pessoas de diferentes classes sociais costumam ser vítimas de diferentes crimes. Enquanto 65,2% dos entrevistados das classes A e B dizem ter sofrido mais com assaltos, 49,1% dos integrantes das classes D e E afirmam que sofrem mais com agressões físicas. Nesse grupo, 36,8% das pessoas foram assaltadas nos últimos 12 meses.

A pesquisa foi realizada em bairros de todas as regiões de Salvador, de 14 a 19 de junho. A margem de erro é de 4,9%, para mais ou para menos.

Delegada diz que omissão dificulta polícia
Para a diretora do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegada Heloísa Brito, o fato de as pessoas não registrarem ocorrência prejudica o trabalho da polícia. "É preocupante, porque deixamos de ter o registro da realidade. Se a vítima não registra a ocorrência, a polícia deixa de fazer o mapeamento para saber onde está acontecendo o crime, em qual horário, e deixa de passar informações para a PM, que é responsável pelo policiamento ostensivo", destaca a delegada. "No âmbito da investigação, é importante para mapear as quadrilhas que agem naquele local", complementa.

O titular da 2ª Delegacia (Lapinha), delegado Antônio Fernando Simões, também acredita que a falta de registro dificulta a criação de estratégias. "Fica subnotificado e as ocorrências não são registradas", enfatiza. "A sensação de impunidade do cidadão também influencia. O cara pratica um crime grave e, meses depois, é liberado", diz.

Sobre as queixas de atendimentos nas delegacias, a diretora do Depom garante que todas as unidades funcionam 24 horas e que os delegados se ausentam apenas em casos específicos. Heloísa Brito destaca ainda que 500 policiais civis já foram treinados para prestar atendimento com qualidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Correio 24h
Credito Foto:Rafael Martis

 

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